Filósofo
russo e investigador psíquico, de tradicional família
da nobreza russa, encarnado em Repiofka, vila de Penza,
no sudoeste de Moscou (Rússia), no dia 27 de Maio
de 1832; desencarnou em São Petersburgo (chamada
Leningrado, no período de domínio comunista),
no dia 4 de Janeiro de 1903.
Descendente de antiga e nobre família, cujos membros sempre
ocuparam lugar de destaque na literatura e nas ciências.
Um seu tio, Sr. Aksakof, foi autor de várias obras consideradas
clássicas; os dois filhos deste seu tio, primos de Alexandre,
foram também escritores muito notáveis. Um deles,
Constantino, publicou livros sobre história e filosofia;
o outro, advogado, foi um dos mais distinguidos literatos da
Rússia.
Mas, para Aksakof não há necessidade dos méritos
de sua família, para fazer brilhar os seus próprios.
Na sua mocidade Aksakof já revela acentuadas tendências
para investigações a respeito das coisas relacionadas
com a alma e o mundo espiritual.
Aksakof iniciou os seus estudos no Liceu Imperial de São
Petersburgo - instituição privilegiada da antiga
nobreza russa, e, após, terminados, dedicou-se à Filosofia,
levado por seu caráter positivo e sistemático,
e à Religião, estudando, tal a sua preocupação
com essas matérias, o hebraico, com base na obra de Antonie
Fabre d´Olivet, poeta e erudito francês (1768-1825),
autor de "La Langue Hébraique", e o latim, para
estudar as obras, traduzidas para a língua de Cícero,
do pensador sueco Emmanuel Swedenborg (Estocolmo, Suécia,
1688 - Londres, Inglaterra, 29 de Março de 1772, com 84
anos), médium vidente e psicógrafo intuitivo, considerado
por muitos o "primeiro espírita do mundo", autor
das obras: "Arcana Coelestia" (The Heavenly Arcana,
traduzida do latim para o inglês pelo Reverendo John Faulkner
Potts, B.A. Lond, Standart Edition, 12 volumes, editados pela
Swedenborg Foundation Incorporated, New York, 1938/1941), "Apocalypse
Explained" ("A posthumous work of Emanuel Swedenborg" em
6 tomos, editados, em 1946, também pela Swedenborg Foundation
Incorporated, New York), "O Céu e as suas maravilhas
e o Inferno, segundo o que foi ouvido e visto", (traduzido
do original latino por Levindo Castro de La Fayette, 1ª.
edição, editado em 1920, por Oficinas Gráficas
da Casa Cruz, Rio de Janeiro). "Le Terre Nel Cielo Stellato" (Fratelli
Bocca - Editori - Milano - 1944, versão italiana do original
latino "Telluribus in Coelo Astrifero" de 1758, pelo
cura L. Scocia), "A Verdadeira Religião Christã" (Livraria
Freitas Bastos, S/A - Rio de Janeiro - S. Paulo, 1964, traduzida
do latim para o francês por I.F.E. Le Boys des Guays, e
para o português por J.M.Lima), publicadas naquele idioma,
e que, na sua juventude pretendeu traduzir para o russo, porém,
encontrou dificuldades em razão do estilo genial, muitas
vezes obscuro e sempre original do Vidente Swedenborg.
Durante anos Aksakof fez cursos de Filologia, entre os quais
o de seu próprio idioma, nos quais aprofundou-se ajudado
pelo célebre lexicógrafo, Sr. Dahl (o qual, mais
tarde, traduziu para o russo a primeira obra de Aksakof, publicada
em francês, em 1852, sobre Swedenborg: " Uma exposição
sistemática do sentido espiritual do Apocalipse segundo
O APOCALIPSE REVELADO".
Em 1854 chega às mãos de Aksakof a obra "Revelações
da Natureza Divina", de A. J. Davis, que o despertou para
o mundo espiritual, de cuja realidade não duvidava.
Em 1855, para fazer um estudo completo, fisiológico e
psicológico do homem, Aksakof matriculou-se como estudante
livre na Faculdade de Medicina de Moscou, ao mesmo tempo em que
ampliava seus conhecimentos sobre Física, Química
e Matemática.
Nesse período, recebeu uma obra de Beecher - Revista de
Manifestações Espíritas - a primeira que
sobre esse assunto chegou às suas mãos e, procurando
colocar-se ao corrente das publicações sobre tal
assunto, e seguir, passo a passo, o movimento espiritista na
América e na Europa, fortalecendo os seus conhecimentos
com todos os livros sobre Magnetismo e Espiritismo, - entre outros
os de Cahagnet, a quem visitou em Paris, em 1861 - que eram,
então publicados principalmente na França, e fazendo
sacrifícios que só seu Espírito, sempre ávido
de aprender podia levar a cabo, revolvendo livrarias e pedindo
a todas as partes exemplares que não se achavam na Rússia.
Pode-se, assim, dizer, que 1855 assinala o início do trabalho
de Aksakof em prol do Espiritismo, que se estendeu com a tradução
para o idioma russo de todas as obras de Allan KARDEC (1804-1869),
de Robert HARE, MD (1781-1858), de John Worth EDMONDS "Judge" Edmonds,
(1816-1874), de Andrew Jackson DAVIS (1826-1910), de Robert Dale
OWEN (1801-1875), do boletim da "London Dialectical Society"(1867),
os trabalhos de William CROOKES (1832-1919) e a fundação
de periódicos como Estudos Psíquicos.
Aksakof foi professor da Academia de Leipzig; fundador e diretor
do jornal "Psychische Studien" (Estudos Psíquicos),
em 1874, na Alemanha, e, posteriormente, com a sua morte, intitulado "Zeitschrift
für Parapsychologie", graças ao trabalho do
Barão Schrenck-Notzinge.
Em 1881, Aksakof patrocinou a fundação e foi diretor
do jornal hebdomadário "Rebus", primeira publicação
de uma revista de assuntos psíquicos na Rússia.
Foi Conselheiro de Estado na corte do Tzar Alexandre III, da
Rússia.
Os fenômenos de Hydesville, em 1848, despertaram sua atenção;
começou, porém, a interessar-se pelas manifestações
dos Espíritos em 1855.
SUAS
EXPERIÊNCIAS E OBSERVAÇÕES
Como experimentador e observador científico, Aksakof realizou
excepcionais trabalhos no campo espírita, com o concurso
dos mais famosos médiuns de seu tempo; viajou para diversos
países, podendo assim realizar experiências com
Madame d´Esperance, Eusápia Paladino, D.D. Home,
Cook, e outros, com as quais, em 1890, publicou, em Leipzig,
Alemanha, sua monumental obra "Animismus und Spiritismus",
ensaio de um exame crítico, em dois volumes.
COMISSÃO
DE PROFESSORES
Em 1892, em Milão, na Itália, participou de inúmeras
experiências com médiuns famosos, para atestar a
veracidade dos "fenômenos observados na obscuridade",
das quais sobressai o seu brilhante relatório da "Comissão
de Professores", valorizado pela apreciação
de Cesare Lombroso, que, a essa Comissão, lamenta e se
confessa envergonhado da confissão que dirigira, em carta,
ao professor Ernesto Ciolfi.
Foram
participantes dessa Comissão:
Alexandre Aksakof, Conde, Doutor em Filosofia, lente da Academia
de Leipzig, diretor do jornal "Psychische Studien" (Estudos
Psíquicos) e Conselheiro de S.M., o Imperador da Rússia;
Ângelo
Brofferio, Cientista italiano, Professor de Filosofia,
de Milão; que aceitou as manifestações
espíritas, após suas experiências com
a mediunidade de Eusápia Paladino;
Charles Richet,
Médico e fisiologista francês (1850-1935),
Doutor, Professor-Adjunto da Faculdade de Medicina de Paris
e Diretor de "Annales des Sciences Psychiques", órgão
oficial da "Societé Universelle d´Études
Psychiques", de Paris, França;
Césare
Lombroso, Doutor, antropólogo e notável criminalista
italiano, autor da célebre obra " L´Uomo
Delinqüente";
G.M. Ermacora,
Professor de Física, em Pádua;
Professor de
Física, em Milão;
Giovanni Schiaparelli, Diretor do Observatório Astronômico
de Milão;
Giuseppe Gerosa, Professor de Física da Escola Real Superior
de Agricultura de Porcini;
Hércules Chiaia, Doutor, cientista italiano, introdutor
do Espiritismo em Nápoles. Sua desencarnação
ocorreu exatamente no dia em que corrigiu a última palavra
do seu livro "O Espiritismo";
Du Prel, Barão Karl, Filósofo e pesquisador psíquico,
natural de Landshut, na Baviera, Alemanha, onde encarnou a 3
de Abril de 1839; desencarnou 4 de Agosto de 1899, em Heiligkreuz,
no Tirol.
(A polêmica entre o Conde Alexandre Aksakof e o Dr. Hartmann,
provocada pela primeira edição alemã da
obra de Aksakof, "Animismo e Espiritismo", refutando
uma obra do Dr. Hartmann, publicada sob o título "A
Hipótese dos Espíritos e seus Fantasmas",
desperta Du Prel, e o torna um defensor do Espiritismo).
O CONFRONTO
COM O SÁBIO HARTMANN
Em 1855, em Berlim, o Prof. Edwing Von Hartmann,
Doutor em Filosofia - continuador de Schopenhauer - crítico
dos fenômenos mediúnicos, especialmente em relação
com as hipóteses da "força nervosa",
da "alucinação" e do "inconsciente",
publica a obra "Der Spiritismus" (O Espiritismo),
traduzida nesse mesmo ano para o inglês por C.C. Massy,
com o título "Spiritualism".
Essa obra, de oposição, provocou memorável
debate com Alexandre Aksakof, que, em resposta à obra
intitulada "Der Spiritismus" (O Espiritismo, Berlim,
1885, traduzida para o inglês por C.C. Massy, com o título "Spiritualism"),
publicou "Animismus und Spiritismus" (Animismo e Espiritismo).
" Animismus und Spiritismus" foi traduzida do russo para o alemão
por Witting, Leipizig, em 1890; O. Mutze, quarta edição, em dois
tomos; do russo para o francês, por Berthold Sandow, com o título "Animisme
et Spiritisme", Paris, França, Librairie des Sciences Psychiques,
1895, 1ª. ed. "in" 8. 635p., com ilustrações, e
para diversos idiomas, entre os quais o castelhano, inglês, português
e italiano. No Brasil o seu tradutor foi o Dr. C.S., conforme direitos cedidos à Federação
Espírita Brasileira, que o editou sob o título "Animismo e
Espiritismo".
Nessa obra os fenômenos mediúnicos são estudados
de forma crítica, especialmente em relação às
hipóteses da força nervosa, da alucinação
e do inconsciente. "La Revue Spirite" (Outubro de 1895,
p. 37), anota que "é incontestavelmente a obra mais
importante e mais completa que jamais foi escrita sobre o Espiritismo,
no ponto de vista científico e filosófico".
PREFACIANDO
ESSA SUA OBRA, AKSAKOF ESCREVEU:
" Não pude fazer outra coisa mais do que afirmar publicamente o que
vi, ouvi e senti; e quando centenas, milhares de pessoas afirmam a mesma coisa,
quanto ao gênero do fenômeno, apesar da variedade infinita das particularidades,
a fé no tipo de fenômeno se impõe".
" Não posso, pois, lamentar ter consagrado toda a minha vida à aquisição
desse objetivo, se bem que por caminhos impopulares e ilusórios, mas que
eu sei são mais infalíveis do que essa ciência. E, se consegui
de minha parte, trazer ainda que só uma pedra à ereção
do templo do ESPÍRITO - que a Humanidade, fiel à voz interior,
edifica através dos séculos com tanto labor, será para mim
a única e mais alta recompensa a que posso aspirar."
E essa pedra, à ereção do templo do ESPÍRITO,
ele a trouxe, com muito valor científico.
A
RÉPLICA DO DR. ED. VON HARTMANN
A primeira edição original alemã, da obra "Animismo
e Espiritismo", publicada em Leipzig, em 1890, provocou,
por sua vez, uma réplica do Dr. Von Hartmann, que, em
1891, publicou "Die Geister-hypothese des Spiritismus und
seine Phantome" (A hipótese dos Espíritos,
o Espiritismo e seus Fantasmas). Leipzig, 1891, Fiedreich, "in" 8.
120 pp., que o sábio Karl Du Prel, se encarregou de responder,
dada a impossibilidade de Aksakof responder, em razão
de seu estado de saúde.
A obra "Un cas de dématérialisation partielle
du corps d´um médium", também de autoria
de Aksakof, traduzida do alemão, com ilustrações.
Paris, Librairie de l´Art Indépendent, 1896, "in" 8.
221 p. foi traduzida, para o nosso idioma, com o título "Um
caso de desmaterialização parcial do corpo dum
médium", por João Lourenço de Moura,
e editada pela Federação Espírita Brasileira
- Rio de Janeiro - RJ, 1902, 1ª. ed. 1979, 3ª. ed.
197 p., acompanhada da história das aparições
do Espírito de Katie King.
Aksakof aborda, nessa obra, o fenômeno da materialização,
e, visando despertar a alma humana para os segredos de além-túmulo,
prova, por métodos científicos, a realidade dos
fenômenos espíritas. É uma obra capital para
conhecimento dos fatos de materializações dos Espíritos
e indispensável como complemento ao estudo do livro de
Mme. d´Espérance, "Au Pays de l´Ombre" (Shadow
Land), vertido para o nosso idioma com o título de "No
País das Sombras".
Em 1892, Aksakof fez parte da comissão de cientistas reunida
em Milão, Itália, para examinar a famosa médium
Eusápia Paladino.
PUBLICOU,
AINDA:
"É tude sur les matérialisations des formes humaines",
S. L. 1897, "in" 8, no qual trata da escrita direta, impressão
de mãos materializadas, etc.
" Predvesttniki Spiritizma Zapoledmie 250 Lyet" (Precursores do Espiritismo
desde 250 anos).
" Um monumento de preocupação científica", em
russo, refutando o livro do opositor russo Professor Demetrius Ivanovich Mendeleyeff,
autor da obra "Material by which to judge Spiritualism", que reúne
dados para estabelecer um juízo sobre o Espiritualismo.
Foi fundador e diretor da revista "Revue du Médium" (1873),
do periódico "Psychische Studien" (1874) e do
semanário "Rébus" (1886).
(Da Revista ICESP, ano 4, nº 16, 4º trimestre/2005
- autoria Dr. Paulo Toledo Machado)