No
território milenarmente indígena
dos povos conhecidos pelos nomes de Caiapó e Araxá ergueu-se
tardiamente o povoado de Monte Carmelo.
A ambição pelos garimpos fez com que moradores
de São João Del Rei e de Itapecerica, a partir
de 1840, instalassem às margens do Córrego
Mumbuca (hoje, bairro Tamboril) um povoado para acolher suas
famílias - enquanto os garimpeiros atacavam os garimpos
de diamante em Bagagem (hoje, Estrela do Sul).
Bagagem, Arraial do Carmo da Bagagem, Vila Nossa Senhora
do Carmo da Bagagem e Monte Carmelo!
O arraial
do Carmo da Bagagem teve esse nome porque foi erguida uma
capela para nossa senhora do Carmo, em torno
da qual se constituiu o povoado: hoje, essa área é a
Praça da Matriz.
Em 6
de outubro de 1882, pela Lei Provincial nº 2927,
o arraial tornou-se vila com o nome de Nossa Senhora do Carmo
da Bagagem.
Em 24
de maio de 1892, pela Lei Estadual nº 23, houve
o erguimento da vila em cidade e em 25 de junho de 1900,
pela Lei Estadual nº 286, passou a chamar-se cidade
de Monte Carmelo.
O nome Monte Carmelo é escolhido, pois, em 25 de junho
de 1900.
Na outrora
terra dos povos Caiapó e Araxá nasceu
a criança batizada com o nome de Elias Barbosa; embora
nascendo em 12 de julho de 1934, foi registrado com data
de nascimento em 4 de agosto de 1934.
Cronista
e poemista desde os quinze anos de idade, Elias Barbosa
publicou o fruto de sua sensibilidade e inteligência
nos jornais de Monte Carmelo e região; a partir dos
dezesseis anos era correspondente dos jornais O Estado de
Minas, O Diário de Minas e O Diário - todos
de Belo Horizonte.
No campo
das Letras, Elias Barbosa é autodidata;
seu talento de pesquisador pode ser avaliado nas páginas
publicadas do Anuário Espírita - o órgão
do Instituto de Difusão Espírita, de Araras
- São Paulo e do qual é um dos fundadores e
um dos colaboradores desde 1964: foi o responsável
anual pela sessão Literatura e Espiritismo na qual
demonstrou a sua vasta e profunda erudição:
ao longo de quarenta e sete anos foram quarenta e sete extensas
pesquisas publicadas em que várias personalidades
literárias internacionais foram estudadas nas suas
interfaces com o Espiritismo. Entre tais personalidades estudadas
estão Dante Alighieri, Henry David Thoureau, Manuel
Maria de Barbosa Du Bocage, William Shakespeare, Antônio
de Castro Alves, Raul de Leoni, Raimundo Correia, François-Marie
Arouet (de Voltaire).
O primeiro
encontro pessoal de Elias Barbosa com o médium
Chico Xavier deu-se na noite de 25 de julho de 1955, em Pedro
Leopoldo - Minas Gerais; em suas visitas a Monte Carmelo,
entre 1956 e 1959, Chico Xavier e Elias estreitaram os laços
incorruptíveis de amizade (ou será de aliança?).
Em 1957
ingressou-se na recém-inaugurada Faculdade
de Medicina do Triângulo Mineiro (FMTM), hoje Universidade
Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), em Uberaba - Minas
Gerais (cidade para onde transferiu residência no ano
de 1953), formando-se médico no ano de 1962.
Quando
Chico Xavier mudou-se de Pedro Leopoldo para Uberaba, em
5 de janeiro de 1959, a amizade - aliança entre
o médium pedroleopoldinense e Elias estava absolutamente
consolidada: desde então, passou a trabalhar com o
médium nas sessões de desobsessão da
Comunhão Espírita Cristã e, igualmente,
organizar obras mediúnicas para publicação.
O primeiro
resultado do erudito talento metodológico
de Elias Barbosa no campo das letras foi a organização
do livro ANTOLOGIA DOS IMORTAIS, psicografado pelos médiuns
Chico Xavier e Waldo Vieira: esta obra foi publicada em 1962,
seguida por TROVADORES DO ALÉM, publicada em 1964.
O primor
intelectual da organização, do prefácio
e das notas de ANTOLOGIA DOS IMORTAIS é o fruto da
inteligência e da cultura de Elias Barbosa; esse talento ímpar
coloca-se a serviço dos médiuns Francisco Cândido
Xavier e Waldo Vieira e dos autores espirituais que escrevem
as poesias.
O talento
de Elias não é gratuito: o brilhante
escritor e rigoroso analista literário manifesta as
conquistas anteriores desse espírito; a sensatez metodológica
de sua inteligência expressa-se na simplicidade de
sua aparência física.
O seu
prefácio e as notas biobibliográficas
para TROVADORES DO ALÉM é fruto de estudo metódico
e respeitoso de milhares de trovas dos autores espirituais,
assinantes do acervo mediúnico-poético e de
suas produções enquanto vivos no corpo físico.
Em sua
aristocracia intelecto-moral, Elias Barbosa pede licença em TROVADORES DO ALÉM para homenagear
Allan Kardec pelo primeiro centenário de lançamento
de O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, no ano de 1864.
As sintéticas biografias dos espíritos assinantes
de ANTOLOGIA DOS IMORTAIS e de TROVADORES DO ALÉM,
escritas por Elias Barbosa, revelam a sua paixão superior
pela Arte Poética e a sua enciclopédica cultura
literária.
Em 1964
era professor de Farmacologia da FMTM e em 1969 tornou-se
médico assistente no Sanatório Espírita
de Uberaba: desde então, dedicou-se ao campo da Psiquiatria.
Em 1964
casou-se com Cândida Flávia. Do casamento
nasceram cinco filhos: Eliana, Ricardo, Luciana, Cláudio,
Renato. Para Eliana e Luciana escreveu e publicou em livro,
distribuído a familiares e amigos, duas centenas de
trovas.
Em 01
de agosto de 1965, Elias Barbosa prefacia a primeira obra
individual do espírito Cornélio Pires
intitulada O ESPÍRITO DE CORNÉLIO PIRES; um
prefácio de 22 páginas aonde a serenidade crítica
e analítica é uma aula rara e expressiva de
conhecimento do assunto a que se presta o prefaciador.
O ESPÍRITO DE CORNÉLIO PIRES, prefaciado por
Elias, evoca o primeiro centenário de lançamento
de O CÉU E O INFERNO OU A JUSTIÇA DIVINA SEGUNDO
O ESPIRITISMO, publicado por Allan Kardec em 1865; a obra
de Cornélio Pires explicita exatamente os mecanismos
da Justiça Divina pela lei de ação e
reação. E, nesta sintonia pedagógica
e espiritual está a contribuição ímpar
de Elias Barbosa à consecução da obra
mediúnica publicada de Chico Xavier.
No ano
de 1967, Elias Barbosa publica o livro de entrevistas intitulado
NO MUNDO DE CHICO XAVIER, homenageando os 40 anos
de atividade mediúnica de Francisco Cândido
Xavier; nesta obra, Elias revela outro dom de vidas passadas
- o de jornalista do bem. A seleção dos temas é criteriosa
e atualíssima, sendo obra antológica de referência
obrigatória para maiores aprofundamentos sobre a vida
mediúnica de Chico Xavier: nenhuma apelação
midiática, nenhuma linha descartável, nenhuma
vírgula de autopromoção diante da personalidade
de Chico Xavier. É o parceiro afinado com interesses
superiores daqueles que representam tais interesses.
Elias
Barbosa em NO MUNDO DE CHICO XAVIER leciona aos seus contemporâneos a seriedade de se escrever uma obra
espírita jornalística: infelizmente, poucos
são os escritores, biógrafos aprendizes desse
rigor e dessa clareza doutrinária para compreender
o mediunato de Chico Xavier.
Novamente,
não é mera coincidência:
NO MUNDO DE CHICO XAVIER traz o prefácio de Elias
Barbosa, escrito em 3 de outubro de 1967: centésimo
décimo ano de lançamento de O LIVRO DOS ESPÍRITOS,
em 1857, por Allan Kardec e no dia e mês de nascimento
do Codificador do Espiritismo.
No ano
de 1971 fez a Introdução do livro intitulado
Entrevistas, publicado em 1972: a obra reúne entrevistas
com Chico Xavier e foi organizada por Salvador Gentile e
Hércio Marcos Cintra Arantes.
Em 1972,
a 9ª. edição de Parnaso de Além
Túmulo traz o enriquecimento das notas e estudos estilísticos
cuidadosos de Elias Barbosa: tais análises reafirmam
o senso apurado de pesquisador do nobre escritor e a sua
requintada erudição.
Em 1970,
coube a Elias Barbosa a iniciativa de organizar um estilo
de obra mediúnica que iria revolucionar
o modo de publicar mensagens mediúnicas de familiares
desencarnados, recebidas por Chico Xavier: o livro Presença
de Chico Xavier traz mensagens de espíritos, dirigidas
aos familiares encarnados e é o primeiro livro ensaístico
nesse contexto.
Entre
Duas Vidas, lançado em 1974, foi o primeiro
de vários outros livros integralmente escritos com
a finalidade de esclarecer e consolar pela mediunidade de
Chico Xavier. Em tais livros, destacam-se tanto os estudos
de Elias das mensagens psicografadas quanto o rigor na sistematização
das informações dos familiares encarnados para
esclarecimento de leitores e leitoras, após o recebimento
das páginas mediúnicas.
Ao livro
Entre Duas Vidas, seguiram-se a organização
e a publicação de outros livros no mesmo estilo,
sob sua responsabilidade: Enxugando Lágrimas (1978),
Claramente Vivos (1979), Quem São (1982), Gabriel
(1982), Horas de Luz (1984), Vitória (1987), Estamos
Vivos (1993).
Fato
histórico interessante: estudioso da obra e
admirador ímpar de Humberto de Campos Veras, Elias
Barbosa renasceu no mesmo ano em que desencarnou o grande
Humberto. Nove meses antes do desencarne do escritor (dezembro
de 1934), renascia Elias Barbosa.
Em 18
de abril de 2002 faz o Prefácio do livro Chico
no Monte Carmelo, organizado por Marival Veloso de Matos
e publicado em 2004: neste Prefácio, Elias Barbosa
dá testemunho de ser o datilógrafo de muitas
mensagens psicografadas por Chico Xavier, a fim de que as
mesmas fossem encaminhadas às editoras espíritas.
E, ainda: fala de seu trabalho, de domingo a domingo, inclusive
de lenhador, até os 19 anos de idade, em Monte Carmelo
- Minas Gerais.
O livro
Chico no Monte Carmelo reúne mensagens psicografadas
por Chico Xavier entre 1956 e 1959 quando visitava a cidade
de Monte Carmelo e comparecia a reuniões públicas
em casas espíritas: 23, 25 e 26 de julho de 1956,
22 e 26 de dezembro de 1956, 26 de dezembro de 1957, 22 e
24 de dezembro de 1958, 25 de dezembro de 1959
A máxima homenagem de Elias Barbosa a Humberto de
Campos Veras e ao médium Chico Xavier foi a publicação,
em 2005, do livro Humberto de Campos e Chico Xavier: a mecânica
do estilo.
Amante
da poesia, expressa de várias formas, Elias
era exímio trovador: por isso, apresentei-o a Eva
Reis e ele se tornou membro da União Brasileira dos
Trovadores - delegacia de Uberaba.
O seu
retorno à vida espiritual deu-se no dia 31
de março de 2011, às 16 horas, no Hospital
São Domingos de Uberaba, com traumatismo cranioencefálico:
o seu corpo está sepultado no Cemitério São
João Batista, de Uberaba - Minas Gerais.